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Como continuar treinando quando alguma coisa dói

Tem alguma coisa doendo. Talvez a lombar depois do terra. Talvez um ombro reclamando há semanas. Talvez um joelho estalando no agachamento profundo.

O instinto é parar tudo. Descansar. Esperar passar. Mas, para a maior parte das lesões não agudas, aquelas dores chatas e persistentes com que quem treina costuma lidar, o descanso completo geralmente é a escolha errada. Você perde condicionamento, perde o hábito, e quando volta muitas vezes a dor ainda está lá porque a causa real nunca foi resolvida.

A abordagem melhor é treinar em volta do problema.

Treinar em volta, não por cima

Existe uma diferença importante aí. Treinar por cima da dor, ignorando o problema e fazendo exatamente a mesma coisa que o provocou, é burrice. Treinar em volta da dor, ajustando o programa para continuar treinando sem piorar a situação, é inteligência básica.

O princípio é simples: se um movimento dói, encontre uma variação que não doa.

Substituições que costumam funcionar

Dor lombar:

  • Troque o terra convencional por trap bar deadlift ou rack pull
  • Troque o agachamento nas costas por front squat ou goblet squat (menos compressão na coluna)
  • Evite good mornings e RDL pesado até a coisa acalmar
  • Mantenha a carga conservadora e faça mais repetições (séries de 8 em vez de séries de 3)

Dor no ombro:

  • Troque o supino com barra por supino com halteres (mais liberdade de rotação)
  • Troque o desenvolvimento por landmine press (a trajetória em ângulo costuma evitar a zona de impacto)
  • Evite qualquer coisa por trás da nuca
  • Abra ou feche um pouco a pegada no supino, porque mudanças pequenas às vezes resolvem o incômodo

Dor no joelho:

  • Reduza a profundidade do agachamento até uma amplitude sem dor (paralelo já está ótimo, não precisa ir ATG)
  • Troque o agachamento livre por box squat (profundidade consistente, descida controlada)
  • Evite cadeira extensora, que isola o tendão patelar
  • Dê prioridade ao trabalho de posteriores (RDL, Nordic curl) para equilibrar melhor a articulação

Dor no cotovelo:

  • Use pegada neutra sempre que der (rosca martelo em vez de rosca com barra)
  • Reduza ou tire o skull crusher, porque ele é famoso por irritar cotovelo
  • Use barra EZ em vez de barra reta em roscas e presses
  • Baixe temporariamente o volume dos movimentos de empurrar

Como progredir quando você está lesionado

A regra normal é 2,5 kg por treino. Quando você está treinando em volta de uma lesão, isso muda:

  • Segure o peso por mais tempo antes de subir. Duas ou três sessões com a mesma carga em vez de uma só.
  • Use incrementos menores se tiver como. Anilhas de 1,25 kg existem por um motivo.
  • Priorize amplitude de movimento em vez de carga. Se você consegue agachar mais fundo sem dor com menos peso, isso vale mais do que um agachamento pesado e curto.

O objetivo deixa de ser “aumentar peso em todo treino” e passa a ser “manter consistência enquanto a lesão melhora”. Isso ainda é progresso. Só é mais lento.

Quando realmente parar

Existem situações em que faz sentido parar completamente um movimento:

  • Dor aguda e forte durante o lift. Não é desconforto surdo. É dor de verdade. Pare na hora.
  • Dor que piora a cada série em vez de aquecer e melhorar.
  • Inchaço, hematoma ou perda de amplitude. Vá a um fisioterapeuta.
  • Dor que acorda você à noite. Isso já parece mais inflamação do que simples dor pós-treino.

Se estiver na dúvida, faça menos. Você sempre pode recolocar carga na semana que vem. Você não consegue desfazer uma ruptura de tendão.

O jogo de longo prazo

A maioria das lesões de treino é lesão por sobrecarga. Elas aparecem porque alguma coisa no programa passou da sua capacidade de recuperar: volume demais, intensidade demais, pouco sono ou um padrão de movimento que não combina com a sua estrutura.

A solução quase sempre é:

  1. Reduzir o movimento que irrita
  2. Substituir por algo parecido que não doa
  3. Resolver a causa de base (geralmente técnica, volume ou recuperação)
  4. Reintroduzir aos poucos o movimento original

Isso leva semanas, às vezes meses. Tudo bem. Você está construindo um corpo que precisa funcionar por décadas, não se preparando para uma competição no próximo sábado.

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